Em cartaz:
Desde que me entendo por gente, sei que a gente que não nasce em berço de ouro, sofre com absolutamente tudo. E isso parece se multiplicar quanto mais o tom da sua pele não clarear. Eu sei, porque disso já passei.
Já fui uma jovem sonhadora em que me encontrei perdida em decidir que curso escolher, já busquei me apaixonar, mas só encontrei o enlouquecer. Fui muito julgada, mas qual de nós nunca foi? Só me arrependo de ter ficado quieta num canto, vendo a vida passar e dando margem às pessoas e suas vertigens.
A vida é exatamente uma caixinha de pandora.
Eu juro que esse texto ia iniciar meu discurso no Oscar, mas só o que de fato sei, é que a oportunidade está maior para uma latina na terra do Walt Disney.
Tinha uma música que diria eu só ponho o bip bop no meu samba quando o tio Sam pegar o tamborim...
Mas se eu quiser colocar o bip bop no meu samba agora, mesmo se, o tio Sam nem fazer ideia do que é um tamborim, vão dizer que fiquei americanizada? Vou sofrer o pão que o djabo amassou tal qual Carmen só por conta de falar um okay ao invés de um oxente?
Eu também não sei disso, só sei que se eu souber demais vou ficar igual o Beto Cabeção, famosa lenda urbana da cidade da minha mãe.
Mas sei que o que será, será. O futuro não se vê. Bem que eu queria ter a bola de cristal para prever. Ficaria até mais linda e rica (risos de beleza e dinheiro).
A vida não é um palco, porque ninguém pode decorar esse roteiro e tampouco se preparar para que personagem fazer. É a partir disso que muita gente se perde no personagem. E eu também me incluo nessa perca. Que daño! Não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem no Copacabana Palace do Planalto exaltando qualquer idiota e se achando Messyahs.
Você acha mesmo que se a vida fosse uma peça de teatro a gente ia pagar esse papelão de só passar vergonha mundial? Que tipo de dramaturgo e diretor são esses? Me recuso a atuar nessa peça. Café ou rivotril? Acho que já criei um terceiro olho por viver nesse hynpherno. Cruzes e nada de evoé, a merda aqui se dá por ser pejorativa e não trazer sorte.
Assina: Maria Clara Cora personagem do livro Cartas Para Uma Jovem Atriz.
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